Aldrich e a improvável sequência de Baby Jane: Hush Hush Sweet Charlotte

Aldrich e a improvável sequência de Baby Jane: Hush Hush Sweet Charlotte

Depois do estrondoso sucesso de Whatever Happened to Baby Jane em 1962, responsável por unir pela primeira vez as veteranas Bette Davis e Joan Crawford, Aldrich planejava uma sequência.

Os motivos que originaram a famosa rixa Bette Davis VS Joan Crawford, os bastidores de Baby Jane e as (diversas) farpas trocadas entre elas fica para outro post. Vamos falar sobre o período depois disso, que antecipa o filme Hush Hush Sweet Charlotte, lançado em 1964 pelo cineasta Robert Aldrich.


Apesar de ter sido aclamado pela crítica, num período em que Hollywood não era gentil com atrizes que beiravam os cinquenta anos e o filme ter dado “novo fôlego” para suas carreiras, o triunfo alcançado por “Jane” amargou ainda mais o clima de rivalidade entre Bette e Joan, que costumavam disputar papéis na década de 40. O filme obteve cinco indicações ao Oscar, Bette Davis conquistou sua 10ª (e última) indicação ao Prêmio da Academia. Segundo ela, Joan Crawford conspirou para impedi-la de vencer: “Eu estava furiosa, ela correu até todos os nomeados em Nova York e disse ‘Não vote nela. E se alguém não puder comparecer, eu aceito o seu prêmio.’ Era tão invejosa!” Baby Jane só levou a estatueta de “Melhor Figurino” e Joan subiu ao palco para aceitar o cobiçado Oscar recebido por Anne Bancroft na categoria de “Melhor Atriz” por seu desempenho em O Milagre de Anne Sullivan.

Dois anos depois, para alívio do diretor Robert Aldrich, Joan concordou em trabalhar novamente com a antiga rival. O projeto estava sendo chamado de Whatever Happened to Cousin Charlotte? e levaria novamente às telas a parceria: Aldrich, Davis e Crawford. A reação de Bette foi oposta, ela detestava a idéia de contracenar com Crawford novamente. Mas se houvesse um diretor capaz de criar espaço suficiente para juntá-las, esse era Robert Aldrich. Para atrair Bette Davis ele fez uma oferta irrecusável: um salário de 200.000 dólares, comparado aos 50.000 de Crawford, além da porcentagem nos lucros de bilheteria. Concordou também em mudar o título do filme que agora se chama: Hush Hush Sweet Charlotte.

Com os contratos assinados, logo surgiram outros colegas de elenco, que inclui Mary Astor (que havia trabalhado com Bette em A Grande Mentira, filme pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz-coadjuvante) no seu último papel no cinema, Agnes Moorehead que interpreta a excêntrica mas fiel governanta de Charlotte e Joseph Cotton como Dr. Drew Bayliss.

Mesmo antes do início das filmagens, Aldrich precisou lidar com as exigências de suas estrelas. Crawford deixou claro que odiava como seu personagem foi escrito. Ela se deu conta que tinha o menor dos dois papéis, Charlotte se destacava como uma mulher presa ao passado, que se vestia inapropriadamente. Enquanto isso, Davis insistia em ter controle sobre o script, direção e casting. Ela também estava insatisfeita com a negociação-prévia chamada de “acordo alfabético”, que colocaria o nome Joan Crawford acima do de Bette Davis.

A imprensa cobriu a primeira semana das gravações, que teve início em primeiro de junho, numa locação em Louisiana. Os produtores estavam contentes com a gentileza e profissionalismo com que as duas se tratavam enquanto filmavam suas cenas separadas, mas dias depois, quando as filmagens continuaram em Los Angeles, Aldrich percebeu que a batalha só tinha começado. Bette Davis podia estar fazendo o papel da vítima, mas atrás das câmeras fazia de tudo para minimizar e boicotar sua co-star. Durante as filmagens de Joan, Bette se sentava ao lado do diretor e criticava abertamente cada tomada. Ela concordou em fazer o filme, mas sem intenção e chegou a dizer: “Eu jamais trabalharei com Joan Crawford novamente.”

Joan começara a se sentir insegura, relutando para filmar re-takes, chegando atrasada e fazendo sempre uma entrada. Na época, era casada com Alfred Steele que comandava a PEPSI e vivia compartilhando o refrigerante com todos ao redor, deixando Bette irada. Aldrich era um viciado em Coca-Cola e sempre tinha uma sobre a mesa. Quando Joan percebia a presença dos fotógrafos, colocava o refrigerante em copos descartáveis e sumia com a garrafa.

Depois de alguns dias, Crawford surpreendeu a todos, declarando que tinha um problema respiratório, rapidamente internando-se em um hospital, segurou a produção até o ponto em que não podiam mais filmar. Bette Davis estava furiosa, dizia que Joan estava fingindo. Robert Aldrich estava convencido que se tratava de uma fuga, no momento em que elas se encontraram, Joan percebeu que não poderia continuar. Depois de um mês de espera, e uma rápida visita de Crawford ao set, para depois internar-se novamente, o estúdio ofereceu ao diretor duas opções: substituir sua co-star ou cancelar a produção. Assistindo seu filme desmoronar sobre ele, Aldrich precisou tomar uma dolorosa decisão e demitiu sua estrela problemática.

As gravações seguiram sem problemas, depois que Olivia de Havilland foi escolhida para substituir Joan no papel de Miriam, Bette estava radiante em contracenar com a colega de longa data, com quem já havia trabalhado antes (Nascida Para o Mal, Meu Reino por um Amor e Somos do Amor).

Hush Hush Sweet Charlotte (Com a Maldade na Alma no Brasil) se tornou um dos meus filmes favoritos, um dos primeiros da Bette que encontrei em DVD por aqui, a carismática Olivia de Havilland interpreta uma vilã de dar nos nervos… mas vamos continuar se perguntando:  Como teria sido, caso o projeto fosse concluído por Joan Crawford? O provável resultado é que teríamos um filme completamente diferente.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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