A Montanha dos Sete Abutres (1951)

A Montanha dos Sete Abutres (1951)

Lançado um ano após o inesquecível “Crepúsculo dos Deuses”, essa Obra de Billy Wilder marca a primeira investida do diretor em um projeto como roteirista/produtor/diretor. Assisti à algum tempo, através da indicação de amigos e apesar de subestimado na época do lançamento, me parece o tipo de filme que “envelheceu” bem, talvez pela abordagem que ainda é extremamente atual. Cheio de personagens corrompíveis, retrata o circo feito pela imprensa para fabricar uma notícia.

Charles Tatum (Kirk Douglas) é um repórter veterano que já esteve em 11 jornais, despedido de cada um deles por difamação, problema com bebidas, entre outros motivos. Sóbrio a mais de um ano, está com um trabalho provisório que conseguiu com o dono do jornal local Jacob Q. Boot (Porter Hall). Após quase um ano sem conseguir nenhuma grande matéria, Tatum recebe a ordem de cobrir uma corrida de cascavéis, que a princípio não seria mais que outro evento medíocre. Entediado com a profissão e temendo por seu emprego, ele sai para sua missão acompanhado por Herbie Cook (Robert Arthur), uma mistura de auxiliar, motorista e fotógrafo. No meio do caminho, quando abastecia o carro encontra Leo Minosa (Richard Benedict), que ficou preso em uma mina enquanto procurava por tesouros indígenas.

Apesar do repórter acalmar a sensação de claustrofobia de Leo, que embaixo da mina corre diversos riscos como asfixia, ou até morrer soterrado. Fica claro que ele já achou sua grande notícia. Decidido a fazer o maior alvoroço possível, Charles manipula a mulher de Leo, que trabalha numa lanchonete e estava prestes a deixá-lo, a representar o papel de esposa aflita para a mídia, assim atraindo atenção do público, novos fregueses e claro, dinheiro.

Depois que o país conhece a história do simpático Leo através dos jornais, uma comoção nacional aguarda o resgate. A ambição de Charles não tem limites, uma vez que detalhes sensacionalistas não param de atrair pessoas para o local, começam a crescer o número de ofertas de diversos jornais para cobrir o caso com exclusividade.

Capaz de diminuir a velocidade do resgate para conquistar atenção, ficamos surpreendidos de quantos seres humanos se beneficiam com uma manchete, ainda que alguém corra o risco, por causa disso. O circo armado pelos jornais, pessoas e até políticos ao redor foge do controle.

Pensando melhor, não é de se admirar que o filme não tenha sido bem recebido ou visto com bons olhos. É uma caricatura da mídia sensacionalista, numa época em que tramas do tipo não estavam na moda. E a atuação do Kirk Douglas dá arrepios. Acertou de novo, Billy!

                                              Alguns cartazes do filme em diferentes partes do mundo.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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