104 anos de Alfred Hitchcock

104 anos de Alfred Hitchcock

Tãn tãn tãn tãn tããããããn. Você não sabe que música é essa até eu colocar a melodia em sua cabeça: música dos créditos iniciais de Psicose de Alfred Hitchcock. Lembrou? Aquela abertura assustadora, aquelas barras brancas cegando a tela preta. E os malditos violinos. Tãn tãn tãn tãããããn. Não tem ninguém que não conheça essa música, mesmo não tendo assistido ao filme. E o que dizer da música que toca durante o assassinato de Marion Crane (Janet Leigh)? Lembro do susto que levei ao estar sozinha no quarto, quase dormindo, quando o celular de um amigo começou a tocar. O toque era a tal música do assassinato de Marion. Meu Deus! Podia jurar que Norman Bates iria entrar com uma faca no quarto naquele momento. Levantei da cama e sai gritando pela casa. Até me dar conta de que era o celular, meu amigo já estava bem apavorado. Mas voltando aos filmes de Hitchcock: me parece incrível o alcance dos filmes desse homem.

O gordinho estaria completando 104 anos ontem. Escrever um post sobre essa figura tão especial do cinema é difícil. Poderíamos falar durante horas sobre as obras do mestre e, ainda sim, o assunto não esgotar. Minha primeira pergunta é: o que faz de Hitchcock um diretor tão aclamado? Alguns podem achar a resposta dessa pergunta muito óbvia. Dã, ele trabalhava com as melhores pessoas. Dã, ele era um gênio, alô? Tudo bem, concordo, mas refaço a pergunta: o que faz de Hitchcock tão aclamado nos dias de hoje? As pessoas que assistem Psicose pela primeira vez ainda levam um grande susto com o clímax do filme. Outras também ficam fascinadas pela criatividade do sonho psicodélico de James Stewart em Um corpo que cai. O 3D inunda as salas de cinema, mas as pessoas continuam chamando Hitch de “mestre do suspense” e por que, afinal? Para mim, existe um elemento chave em seus filmes: a história. A produção, os atores…. é tudo maravilhoso, mas sem uma boa história nada disso existiria.

 Vamos combinar que as histórias que Hitch escolhia eram muito criativas. Mais do que criativas eram histórias sobre temas que fascinam as pessoas desde que o mundo é mundo: serial killers, o dia em que a natureza se rebelaria contra o homem, assassinatos. Tudo isso com uma pitada de alta qualidade. Hitch não poupava esforços e dinheiro para realizar suas obras. Os chefões da Paramount davam carta branca ao diretor, pois sabiam que o dinheiro gasto seria revertido em uma boa bilheteria. Até mesmo filmes considerados “fiascos” como Um corpo que cai renderam uma boa bilheteria. Claro que se formos comparar com Quando fala o coração ou Janela Indiscreta, o lucro foi bem menor. Essa gastação de dinheiro durou até Hitchcock querer rodar Psicose. Aí os chefões da Paramount chutaram o balde, Um filme inspirado em um serial killer que colecionava lábios humanos na parede de sua casa? Jamais! Eles só aceitariam produzir se Hitchcock financiasse o filme e se não ultrapassasse certa quantia de dinheiro. Os produtores, que não eram idiotas, deram essa condição sabendo que Hitch era conhecido por ser um gastador em suas produções.

O fato é que Hitchcock teve de sambar muito para conseguir fazer Psicose. Parecia que o filme não era para sair. Teve de sambar na cara de censura, quando esta tenta tentou censurar a cena que em que Marion é esfaqueada. Teve de lutar contra suas estrelas também. Alfred não era um homem muito amistoso em relação a elas. Dizia que Ingrid Bergman era muito bonita, mas burra. Cary Grant também não foi poupado dos comentários do diretor. Por razões financeiras, Hitch teve de escalar atores mais “baratos”. Por sugestão de sua esposa, Alma, Hitch escalou Janet Leigh para o papel de Marion Crane. Ele queria Grace Kelly, mas sacomé, o negócio estava tenso, já que a estrela tinha se mandado para viver uma vida pacata como princesa em Mônaco.

Psicose, para mim, reflete toda a perfeição que fez de Hitchcock um dos diretores mais adorados de todos os tempos. É a trilha sonora inesquecível de Bernard Hermann, um moço que criou os temas de Um corpo que cai e  Intriga Internacional. São os azulejos do banheiro onde Marion é assassinada, que tinham de ser de um branco reluzente. Não poderia ser de outra maneira. São as referências sexuais, bem escondidinhas para que passasse em branco pela censura. Tudo isso meticulosamente trabalhado por Alfred, que não tinha medo de fazer vários takes da mesma cena caso fosse necessário. O take em que Marion é esfaqueada foi refeito diversas vezes e o que Tippi Hedren é atacada em Os pássaros também. Um diretor que levava suas estrelas ao extremo até obter o resultado desejado.

Recentemente, a HBO lançou um filme para a televisão sobre a relação de Tippi Hedren, a estrela de Os pássaros, e Hitch. Chama-se The girl. Serena Miller está maravilhosa na caracterização da personagem, aliás. Contudo, o filme está repleto de um sensacionalismo barato. Algo estilo Mamãezinha Querida só que mais chique. De acordo com o filme, Hitch teria perseguido Tippi, assediado-a, torturado-a psicologicamente. A atriz, que está viva nos dias de hoje, afirma ter sido perseguida pelo diretor. Mas quer saber? Não me interessa. É um desespeito retratar alguém da maneira como Hitch foi retratado em The girl. O homem está morto e nem pode se defender das acusações que o filme traz. Bem, não importa. Hitchcock continuará sendo o “mestre do suspense” para muitos e a música de abertura de Psicose ainda irá assustar os espectadores.

Alguém imagina qual filme assistirei nessa madrugada de sexta-feira? Dica: tãn tãn tãn tããããn

Feliz aniversário atrasado, Hitch!

Escrito por Jessica Bandeira

Estudante de história, tradutora e noveleira.

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