A gata comeu (1985) – PARTE I

A gata comeu (1985) – PARTE I

Ela comeu meu coração / Trincou, mordeu, mastigou, engoliu, comeu

Antes mesmo de ser uma cinéfila da cabeça aos pés, muito antes, eu era uma criança das mais noveleiras. Acompanhava todas as novelas que passavam, incluindo as reprises do Vale a pena ver de novo. Acontece que a vida adulta chega pra todo mundo, e logo tive que abandonar as novelas, e aos poucos fui perdendo o interesse de vez. No entanto, nos últimos tempos comecei a ver no Canal Viva algumas pérolas fantásticas das novelas: Pedra sobre pedra (quem diria que eu voltaria ao mundo dos ships com Renata Sorrah e Lima Duarte?), Dancin’ Days, e finalmente, desde outubro, A gata comeu. Depois de anos ouvindo minha mãe encher a bola dessa novela, dizendo que Jô Penteado e Professor Fábio formavam o melhor casal das telenovelas ever, comecei bem por acaso a assistir um episódio aqui e ali… pronto! Meu coração foi roubado. A gata roubou meu coração. Mascou, moeu, triturou, deglutiu, comeu.

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O sinal da cruz (1932)

O sinal da cruz (1932)

Uma mulher tomando banho de leite. Orgias. Insinuação LGBT. Cenários de tirar o fôlego. Pelas palavras escolhidas, você provavelmente pensou que eu estaria descrevendo algum filme da atualidade. Mas não. Estamos falando de O sinal da cruz, produção de 1932, dirigida por Cecil B. DeMille.

Para os defensores da moral e dos bons costumes, esse épico foi o que faltava para a criação de um código que ditava o que podia e o que não podia em Hollywood, o tão famoso Código Hayes, do qual sempre estamos falando por aqui. Para os não apreciadores de filmes épicos (como eu), foi uma surpresa muito feliz. A ousadia e a alegria nunca foram tão levados a sério nessa trama que retrata o período em que cristãos eram perseguidos em Roma.

Foi com O sinal da cruz que Cecil B. DeMille mandou um beijinho no ombro aos que achavam que ele estava acabado enquanto diretor e produtor.

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Dez filmes com Rock Hudson que talvez você não tenha assistido

Dez filmes com Rock Hudson que talvez você não tenha assistido

Se estivesse vivo, Rock Hudson estaria completando hoje 91 aninhos de idade. O astro colecionava bons amigos na Era de Ouro do cinema e foi anfitrião de festas inesquecíveis na sua casa em Beverly Hills. A residência era conhecida como “O Castelo” e frequentada por estrelas como Elizabeth Taylor, Paul Newman, Judy Garland, entre outros.

Muitos questionam suas habilidades ou limitações como ator, mas seu carisma parece ser unânime e dificilmente você escutará qualquer história de Rock sendo rude com quem quer que seja. Aquele sorriso encantador o acompanhou por toda a vida.

Quando temos um ídolo, afirmo também por minhas parceiras aqui do blog, não nos contentamos somente em conhecer seus maiores clássicos. É necessário correr atrás de biografias, assistir documentários e caçar os filmes mais aleatórios que nossa estrela favorita tenha feito antes de emplacar ou aqueles que fizeram para a TV quando a carreira no cinema já não estava essa Coca toda.

Rock Hudson é um dos maiores galãs old-fashion-way que Hollywood já produziu. Já falamos sobre alguns dos romances que ele fez com Douglas Sirk (Tudo Que o Céu Permite, Seu Único Desejo), as comédias românticas com Doris Day, a tentativa de mudar o rumo de sua carreira em “O Segundo Rosto” e quando se uniu a outros astros da Golden Age em um filme dos anos 1980, o suspense “A Maldição do Espelho”.

Dessa vez, fizemos uma listinha de filmes com Rock Hudson que não são tão conhecidos quanto “Pillow Talk” ou “Assim Caminha a Humanidade”. Um mergulho de cabeça na carreira desse lindo. Bora relembrar a carreira dele com a gente?

Segura que hoje é dia de ROCK no Cine Espresso, bebê! Continue Reading…

A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

Minha mãe não sabia que estava criando um monstro ao me dar de presente Carmen, uma biografia, trabalho sensacional do escritor Ruy Castro sobre a vida de Carmen Miranda. Depois de ler esse livro, eu simplesmente adentrei no mundo das biografias, que se tornaram meu gênero literário favorito. Tenho muitas biografias, muitas mesmo. Se eu gosto do artista, é provável que vá ler sobre sua vida, para ter aquele sentimento de “sou íntima de fulano”.

Ao longo destes dez anos de leitora voraz de biografias, pude perceber que esses livros seguem uma espécie de fórmula. Geralmente ou o artista é retratado como um santo ou é destruído pelo autor da obra. Quando o livro é autobiográfico, existe uma tentativa de endeusar a própria vida, negar alguns boatos e se redimir perante os fãs. Hoje, como futura historiadora, vejo isso como narrativas históricas com as quais temos de lidar. Não há uma verdade absoluta, é uma questão de ponto de vista, de lugar de fala. É nisso que precisamos prestar atenção.

Pelos motivos elencados acima, eu me achava preparada para o que leria em Jane Fonda: minha vida até agora. Porém, o que aconteceu foi um daqueles momentos de glória, únicos na vida, em que você está diante de algo completamente diferente, capaz de mudar sua vida. Jane Fonda toma tudo o que você conhece sobre autobiografias, joga fora e cria algo muito verdadeiro, e a única reação que poderíamos ter é chorar. Ah, como chorei baldes com esse livro.

Muito mais que uma narrativa autobiográfica, o livro nos ajuda a entender nossas experiências enquanto mulheres no mundo. Talvez o seu maior bônus seja a aproximação que Jane faz com as leitoras. Ela mostra que você não está sozinha, que seus sentimentos não são inválidos e ainda reflete sobre os motivos pelos quais “traímos nós mesmas”.

Você achou que nunca leria uma autobiografia feminista? Pois essa daqui é – e muito!

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Vítimas do divórcio (1932)

Vítimas do divórcio (1932)

Não é segredo para quem acompanha esse blog que a minha atriz favorita, dona do meu coração, é a Katharine Hepburn. Não foi surpresa então que, em incursões em sebos de São Paulo, eu dei aquela surtada básica quando achei duas (DUAS!) biografias da rainha suprema. Mas eu não podia levar nenhuma, afinal já tinha gastado os tubos em outras sessões de surto na Livraria Cultura e na Fnac. No entanto, minha melhor amiga e companheira de passeio, decidiu me presentear com uma delas; eu precisava escolher. Decidi que aceitava, sim, e que levaria Uma mulher fabulosa, de Anne Edwards – a outra tinha um viés meio sensacionalista, e eu não sei se já estava preparada para derrubar alguns mitos sobre minha diva. Sou dessas.

Todo esse prólogo é apenas para dizer que ler esse livro, me fez querer ver depressa alguns filmes que ainda não vi da Kate, pois ele é rico em detalhes de bastidores e produção de cada um. E por que não começar pelo começo?

A bill of divorcement é o primeiro filme de Katharine Hepburn, em uma época em que ela atuava apenas no teatro, e ainda não era uma estrela – longe disso. A verdade é que o destino – e o diretor George Cukor, futuro de BFF de Kate –  deu uma mãozinha para que Hepburn estreasse finalmente no cinema, ao lado de John Barrymore, e ainda por cima, com um salário bastante alto para a época – 1500 dólares por semana – deixando muita gente no estúdio RKO de cabelos em pé. E, de quebra, mostrasse a que veio.

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Três filmes essenciais estrelados por Eva Wilma

Três filmes essenciais estrelados por Eva Wilma

Não é segredo para ninguém o quanto estou apaixonada por Eva Wilma. Como bons fãs sabem, quando gostamos de algo, varremos a internet atrás de elementos que possam alimentar a paixão por um artista. No caso de Eva, a notícia boa é que não apenas temos diversos filmes para guardar no coração, como a maioria está disponível na internet!

O interessante em relação à Eva Wilma é que muitos de seus filmes misturam-se com a história do cinema brasileiro. Podemos dizer que a atriz passeou entre inúmeros gêneros cinematográficos, da nouvelle vague brasileira às comédias pornochanchada. Ela nos deixou um gostinho de quero mais em relação a seus filmes, você fica pensando o que teria acontecido se ela tivesse sido escolhida para estrelar Topázio de Alfred Hitchcock. Sim, você não leu errado, Eva Wilma fez um teste com o mestre do suspense no final dos anos 60. Será que teríamos uma carreira mais longa no cinema brasileiro se ela tivesse conseguido? Nunca saberemos.

O fato é que, realmente, existe um vácuo no que diz respeito às atrizes brasileiras. Nós simplesmente não conhecemos nossas divas, mulheres que levaram nossos filmes para fora do Brasil, que fizeram com que eles fossem adorados no estrangeiro. Certamente Eva Wilma é uma dessas atrizes. A única cópia de um de seus filmes, O quinto poder, pertence a um festival de cinema estrangeiro. É mole?

No intuito de retirar o véu que encobre os filmes brasileiros, hoje selecionamos três filmes indispensáveis da carreira de Eva Wilma. Alguns estão disponíveis no You Tube, então é só correr para o abraço!

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Mulher (1997/1998)

Mulher (1997/1998)

Sempre subestimo minha capacidade de me apaixonar novamente por uma artista e simplesmente sair correndo para ver tudo o que ela fez nesta vida. Pois a grande dama que conquistou meu coração desta vez chama-se Eva Wilma.

Semana passada fui assisti-la pela primeira vez no teatro e saí de lá apaixonada. Quando digo aos meus amigos que queria me deitar no palco e pedir para que ela fizesse tudo comigo, eu não estou brincando. Há muito tempo não experimentava sensações tão fortes em relação a uma história, a uma obra artística. Parecia que, naquele momento em que ela estava representando na minha frente, eu redescobri que tinha um coração batendo dentro de mim. Por isso, quando a peça terminou, não sabia direito o que fazer. Eu sentia aquele coração batendo no meu peito, tão forte. Infelizmente, a sensação evaporou rapidamente, fazendo com que eu tivesse uma única certeza: precisava muito sentir o coração novamente. Muito. E o único jeito era ter a atuação monstruosa dessa atriz desenrolando-se bem em frente a mim. Começava a busca incessante, à la Sherlock Holmes, pela próxima produção de Eva Wilma que arrancaria meu coração fora.

Por que fiquei tão surpreendida ao constatar que a segunda produção que estou vendo com Eva Wilma é super feminista? A resposta é lógica: uma série como Mulher jamais seria exibida na televisão de 2016. Ela só poderia ser fruto do fim dos anos 1990.

(e porque acho que ela estava predestinada a mim, é claro!)

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Eu sei o que aconteceu a Baby Jane

Eu sei o que aconteceu a Baby Jane

Quando Harry Potter and the Cursed Child foi finalmente anunciado, minhas melhores amigas (e revisoras do Cine Espresso) ficaram muito eufóricas com a possibilidade de assistir algo que elas amavam tanto pela primeira vez no teatro. Embora eu tivesse ficado muito contente por elas, não entendia de verdade a dimensão de algo que forma o seu caráter “estar de volta” e causar os mesmos frissons adolescentes de 10 e tantos anos atrás. Até que um belo dia tomei conhecimento de que O que terá acontecido a Baby Jane?, um dos filmes que formou meu caráter como cinéfila, seria adaptado para palcos brasileiros. Aí, meus senhores, eu senti na pele os arrepios ao olhar uma simples foto dos ensaios ou ao assistir à coletiva de imprensa com o diretor e o elenco.

E, depois de ter tido a oportunidade de assistir a essa adaptação teatral na primeira fila, tentarei descrever um pouco do que senti ao ver Eva Wilma e Nicette Bruno representando as personagens tão consagradas por Bette Davis e Joan Crawford.

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Presente de grego (1987)

Presente de grego (1987)

Eu notei que nos últimos meses o Netflix tem desenterrado um monte de filmes aleatórios. Pensou em algum filme lado B com a Whoopi Goldberg dos anos 90 que você via na Sessão da Tarde? Pode apostar que está lá. Coisas que você nem lembrava que existia da década de 80? Também!

Um desses xuxuzinhos redescobertos foi a comédia Presente de grego, um daqueles filmes beeem yuppies dos anos 80. Temos uma Diane Keaton (que consegue me fazer assistir a algumas bombas só por sua digníssima presença) como uma mulher independente e workaholic – e dentro disso, um caminhão de estereótipos e ideias preconcebidas sobre esse perfil de mulher. Ok, ok, a gente bem sabe que é uma outra época, mas eu não consigo deixar meu eu lírico problematizador de fora, nem mesmo mais com clássicos da Old Hollywood. Mas, bem lá no fundo, Presente de grego (ou Baby Boom, no original), apesar dos clichês do gênero, consegue ter seus momentos divertidos.

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Fúria sanguinária (1949)

Fúria sanguinária (1949)

This is the story of Ma Baker, the meanest cat from ol’ Chicago town!

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir a ligação entre Ma Baker, canção do grupo Boney M, e Fúria sanguinária, quarto lugar na lista dos 10 melhores filmes de gângster do American Film Institute? Brace yourselves: Ma Baker é inspirada em Ma Barker, mãe de uma gangue de quatro criminosos dos anos 30, que inspirou  Ma Jarrett, a mãe do sanguinário Cody Jarrett, personagem principal de Fúria sanguinária. Parece complicado, não? Essas ligações entre a cultura popular e o cinema nunca param de me surpreender.

Fúria sanguinária foi o filme que fechou com chave de ouro a era de ouro da Warner Brothers. Além disso, carrega um tom de nostalgia justamente por reviver o gênero gângster, que elevou o estúdio ao posto de major nos anos 30.

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